I write differently from what I speak, I speak differently from what I think, I think differently from the way I ought to think, and so it all proceeds into deepest darkness.

Franz Kafka
(via feellng)

Meus motivos de não deficiência são essas quase crateras que se incineraram nos meus glóbulos faciais junto com o sorriso sujo e essa filosofia perdida de passado presente e futuro respectivamente presentes em qualquer canto triste que eu fixo o olhar. Embutidos à ausência de algo ou alguém que eu construo ao suspirar para entender que o vazio não é preenchido pelo mundo nem pelas palavras nem pela luta constante ou pelos arrepios e beijos e delírios. Quem dirá os sábados e domingos e feriados. Ainda tenho fé na poluição das minhas palavras, em algum lugar para pertencer a mim mesma, com sentido anti-horário e notas tocadas por feridas fora do padrão. Entenda que meus trocadilhos são completamente frustrados e cada palavra aqui busca explicar tanto quanto o silêncio, todos os meus anos de experiência mal vividos nas loucuras suscitadas pelo medo de não ter onde chocar os meus pecados, talvez todas as angustias que preciso compreender. Meu destino não são mais as palavras, talvez elas nunca tenham sido euforicamente importantes. Tão frias quanto meu bloco de gelo. Tão quentes quanto as úmidas lágrimas. Não tão importantes quando a dor. Talvez mais fracas que o egoísmo. Nunca foram elas, o começo ou o fim. Lembra do parágrafo, o ponto final? Talvez o destino fossem os destroços, a poeira, a paixão, mas nada buscava as palavras. A voz, talvez. A saudade as cores a utopia. Os gritos foram perdendo a força, a saudade crescia centelha por centelha em urros. Eu fui perdendo fé nas coisas bonitas, saudáveis e banais. Meus curativos apodreciam dentro do peito. Os céus caiam, as canções paravam. Mas, sóis, eu ainda tenho fé na poluição dessas minhas palavras.

Epigrafar, 1853. Sem rumo, sem muletas.  (via oxigenio-dapalavra)

Ando sem pernas.

deslizo da cama

me arrasto nas calçadas
vou nesse sofrimento,
a cada batida
vou flutuando
voo nas nuvens
cuidando
pra não levar
um          

                tom
                   bo.

Vinicius Cinereo